quinta-feira, 17 de maio de 2018

HORIZONTE DE EVENTOS 
A paixão - parte II
Autor: João Luiz
Fazendo uma analogia com a força e mistério de um buraco negro, talvez possamos compara-lo à paixão e ao amor, respeitando suas proporções. Existem vários pontos em comum entre um buraco negro, a paixão e o amor: força de atração, capacidade de destruir, mistério, nem todos acreditam em sua existência, possibilidade de ir a um mundo totalmente desconhecido e sem volta.
A paixão provoca emoções fortes e até incontroláveis, se levada ao extremo, pode ter uma força destruidora para o ser humano sem igual. Se estiver associada ao sexo, atua força aumenta exponencialmente na mesma proporção que seu perigo.
A paixão tem prazo de validade para acabar. O problema é quando ela acaba apenas para uma das partes envolvidas, e a parte ressentida é a quem mais pode sofrer e causar estragos. A paixão pode levar alguém a um estado de euforia que não se sustenta indefinidamente, e quando acaba, entra em colapso com o próprio peso. 
Costumamos idealizar nossas relações e quando encontramos as alguém que se encaixa no personagem que criamos com antecedência, acreditamos ter encontrado um grande amor. Mas quantas pessoas estão realmente preparadas para viver um grande amor? Quantas pessoas sabem o que é um amor? Costumamos impor condições para amar alguém: beleza, riquezas, posição social, desempenho sexual, aparência física. Fazemos o que queremos e chamados isso de livre arbítrio, como se não houvesse consequências em tudo que pensamos, sentimos, falamos ou fazemos.
Costumamos invocar o livre arbítrio como um dom que Deus nos deu para sermos livres e fazermos o que bem entendermos sem maiores consequências. E nessa liberdade escolhemos com quem vamos nos envolver. Mas nem sempre essa escolha é consciente e madura, normalmente é impulsionada por fatores externos e superficiais que não refletem o verdadeiro conteúdo.
A paixão é uma emoção primitiva e inconseqüente, onde sua principal razão de existir é a satisfação de uma vontade. Mas como s vontade é uma sensação e não um sentimento puro, ela não resiste às dificuldades impostas pelo cotidiano, esfria e vai se reacender para outras pessoas. A paixão é boa enquanto esta sendo satisfeita, mas quando é chamada a realidade dos fatos, ela se esfria e desaparece.
Normalmente, a paixão não resiste a falta de dinheiro, doenças, deformações, velhice ou desempregado. A paixão só costuma ser fiel aos próprios desejos. A paixão é como um fogo que queima seu combustível de forma intensa e rápida, sobrando apenas fuligem e aquela sensação de: Acabou.

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