domingo, 17 de junho de 2018

COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS
Autor: João Luiz
Na maioria das vezes, para termos e mantermos as companhias que conhecemos, temos que renunciar a nós mesmos. As pessoas não costumam entender nossas mudanças de valores e ponto de vista ao longo do tempo, eles desejam que sejamos sempre a mesma pessoa ao longo do tempo.
A sociedade não nos permite mudar de opinião facilmente, é a ditadura do senso comum e da falsa democracia. O senso comum dita as regras e cabe às pessoas seguirem sem questionar. Já essa ideia equivocada de democracia nos meios sociais, diz que a vontade da maioria deve prevalecer, onde a maioria ganha e a minoria perde. Se tem um grupo de dez pessoas e oito concordam com uma idéia qualquer, os outros dois que discordam, ou se rebaixam ou ficam isolados do grupo de forma. Isso acontece nos diversos níveis das relações humanas, desde a nação até mesmo a relação amorosa entre duas pessoas.
O ser humano é um ser em mutação. Suas ideias evoluem ao longo do tempo. Mas a sociedade não gosta de mudanças, pois isso tira a previsibilidade dos comportamentos e ta insegurança ao grupo. O ideal é que prevaleça aquele pensamento: "Tudo como dantes no quartel de Abrantes".
Mudanças podem mexer com as estruturas de poder e isso não é bem visto por quem está no comando. Para quem está na posição de comando, ideias novas podem ser um sério risco a posição conquistada ao longo do tempo.
Quando a relação é sólida e estruturada em um sentimento de cumplicidade, as mudanças são bem-vindas, pois permite que um dos membros evolua nos pensamentos e sirva de inspiração para os demais. Mas se não houver raízes profundas, onde o que mantém a relação (seja ela qual for) seja só o prazer imediato, mudanças podem afastar definitivamente os membros que não estiverem em sintonia com os demais.
Dá até para desconfiar de relações duradouras que não sejam baseadas na afinidade de ideias e que não aceitem a presença de novos membros. Relações frágeis não permitem a presença de pessoas com ideias divergentes, pois a unanimidade das ideias é que mantém frágeis por mais tempo.
Evidentemente que existem pessoas que são contestadoras e que não acrescentam nada de novo, apenas questionam a ideias existentes com o intuito de causar discórdia. Esse tipo de gente deve ser evitada. Mas de forma geral, um bom debate pode ser muito útil a evolução do pensamento e da descoberta de alternativas criativas para um problema que seria aparentemente, sem solução.

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