DOURAR A PÍLULA
Autor: João Luiz
Antigamente, dizia-se que na guerra, nos negócios e no amor valiam tudo, ou seja, poderia utilizar-se de todos os meios para se conquistar o que se pretendia. Ou, como diria Nicolau Maquiavel: "O fim justificam os meios". Porém, nos dias de hoje e em plena era da informação, descobrir algo ou ter conhecimento basta ter vontade. A ignorância é uma opção e não mais uma imposição do meio. As pessoas estão cobrando cada vez mais atitudes éticas e verdadeiras, até mesmo aquelas pessoas que vivem na mentira reconhecem quem a verdade quando ela se apresenta. Neste contexto, as relações pessoais também estão passando por mudanças.
Quando alguém quer se apresentar de forma atraente e agradável, a tendência é apresentar aquilo que ela considera o que tem de melhor: beleza, inteligência, poder, habilidades, talentos, simpatia ou riquezas. Ninguém costuma se apresentar com seus pontos mais fracos ou precisando de melhorias. Então, se alguém se apresenta mediante seu melhor trunfo, você já poderá imaginar que será daí para pior.
Apresentamo-nos com aquelas qualidades que já foram testadas e aprovadas antes, deixando os pontos polêmicos para mais adiante, quando já estivermos firmes na relação ou, como se faria em uma guerra, quando já tivéssemos conquistado amplas áreas de território adversário.
Por este motivo, não deixe-se seduzir apenas com aquilo que te é dito ou mostrado, pois a tendência é que a verdade esteja escondida por trás destas distrações aparentes ou "nuvens de fumaça" que são criadas para encobrir ou mascarar a verdadeiras intenções ou uma realidade que não é nada atraente.
A mentira costuma ser sedutora porque ela se mostra como o outro a quer a ver. Deixamo-nos enganar para curtir o momento, ter um prazer que, com certeza, é temporário e que cobrará um preço alto mais adiante. Se algo vem disfarçado para ser agradável, é porque com certeza não é agradável.
A mentira não se sustenta à luz da verdade. Como se dizia antigamente: "Dourar a pílula", ou seja, dar um aspecto bonito e agradável a um remédio oi algo amargo e extremamente desagradável.
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