sábado, 8 de fevereiro de 2025

O baile de máscara e a hipocrisia social

 Autor: João Luiz

Quando você quiser conhecer alguém, preste atenção nos momentos iniciais em que a pessoa se apresentou para você ou ela se apresenta para alguém que não havia antes, principalmente se houver algum tipo de interesse pessoal da parte dela em você. 
Normalmente, nós procuramos apresentar que acreditamos que temos de melhor para impressionar a outra pessoa. Quem é bonito, vai se arrumar e usar roupas que valorizem ainda mais sua beleza, assim como vai comentar como as outras pessoas acham essa pessoa bonita. Quem é inteligente, vai fazer questão de abordar assuntos que exaltem sua inteligência acima da média. Quem acredito que é bom de cama, vai fazer questão de ressaltar essas qualidades como amante na hora do sexo. Quem tem dinheiro ou posição de poder, vai fazer questão de apresentar suas posses e influência logo no início. 
Isso é porque ela acha que tem esses atributos de valor e que o outro vai se interessar por essa pessoa por esses motivos. 
Não há nada de mal em ter inteligência, beleza, força física, dinheiro ou poder, principalmente quando não são exibidos como um cartão de visita ou para diminuir a importância dos outros. Quando as vantagens que alguém tem é usado para o bem de si sem prejudicar os outros ou usado para o bem da coletividade, ótimo. Mas nem sempre é isso que acontece realmente.
O que muita gente costuma ignorar é que esse tipo de gente que exibe seus principais atributos para esconder ou dificultar o outro de ver quem esse exibicionista é realmente. Depois dessa apresentação apoteótica, pode apostar que daí em diante é "ladeira abaixo". Apresenta-se logo o que causa mais impacto, depois apresenta-se aquilo que é o menos do que a primeira grande vantagem dessa pessoa, e daí vai declinando até chegar ao lado "podre" da situação. 
Muita gente não "trabalha" o seu próprio interior, não conhece a si mesmo, procura esconder de todos o que seriam seus defeitos, porque quer exibir uma fachada de perfeição ou de superioridade em relação aos outros, assim como a intenção também pode ser apenas se fazer igual aos demais membros do grupo sem mostrar as discrepâncias que existem entre essa pessoa e os demais. 
Carl Jung fala sobre as "sombras", que é tudo aquilo que as pessoas escondem de si mesmo e da sociedade. É tudo aquilo que elas rejeitam em si mesmo e que pode arranhar a imagem de perfeição diante dos outros. O princípio do yin yang chinês diz que nem todo mundo é totalmente bom e nem totalmente mal. O que as pessoas procuram exibindo mais fachada é esconder o seu lado mal diante dos outros e de si mesmo. 
Porém esse lado mal pode não ser exatamente mal, apenas um lado que não é aceito pela maioria. Alguns usam desafiar o contexto social em que vivem e são classificados como "ovelhas negras". Outro simplesmente não se encaixam nesse ambiente de hipocrisia e se afastam ou são rejeitados pelos demais. Autenticidade e sinceridade são opostos à sociedade em geral que vive como se tivesse um baile de máscaras, cada um representando aquilo que lhe convém. O exibicionismo das supostas vantagens é um grande exemplo disso, é uma maneira de ocultar a verdadeira essência do indivíduo de si mesmo e dos demais, tudo em busca de aceitação social e até de vantagens pessoais.

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