quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Ser responsável por alguém, além de nós mesmos, nos remete a um novo patamar. Não da diferença se trate-se de um filho, uma mãe, empregados da empresa ou mesmo uma nação. Não existem manuais detalhados que expliquem a emoção e desafios em uma situação como esta. Geralmente, os estudos realizados para este fim são bem segmentados, divididos nas várias vertentes do conhecimento humano, tais como psicologia, teologia, sociologia.
Se antes de receber a responsabilidade de cuidar de alguém o universo pessoal de cada um restringia-se aos próprios interesses, emoções e sentimentos, ao cuidar de alguém temos que romper nossas fronteiras individuais e saber que o bem estar e até mesmo a sobrevivência de alguém passa por cada decisão que tomamos.
A natureza de uma pessoa se revela mais claramente em momentos de pressão e quando temos algum tipo poder sobre outra pessoa. Ter alguém vulnerável sob nossos cuidados implica em termos que ser melhores a cada dia. Uma pessoa de bom coração vai se revelar em situações como esta, assim como uma pessoa de atitudes perversas.
Nem sempre pedimos para sermos responsáveis por outro vivente, mas não podemos abandona-lo a própria sorte com a alegação de que temos que viver a própria vida. Se abandonamos alguém claramente necessitado de nossos cuidados apenas para podermos curtir a vida de forma irresponsável, podemos esperar que em algum momento s vida virá cobrar o preço da da nossa atitude perversa. Cuidar de alguém é uma oportunidade que recebemos de nos tornamos pessoas melhores e não devemos recusar esse compromisso.
A vida é tão breve que é melhor fazermos o que pudermos quando temos oportunidade do que lamentar pelo resto da vida por não termos estendido a mão no momento oportuno.
Saber respeitar os desejos viáveis e saudáveis de alguém que está sob sua responsabilidade é uma forma de deixar esta pessoa confiante em si mesma e não ser um peso para você. Às vezes, queremos tanto proteger alguém que esquecemos que esta pessoa ainda pode ser responsável e capaz de tomar decisões. As pessoas gostam de sentirem-se amparadas e protegidas, mas não gostam de sentirem-se inúteis ou serem tratadas com incapazes.
Manter-se calmo e equilibrado é um dos pilares para conseguir continuar a ser atencioso com as necessidades de nossos semelhantes. Reconhecer as próprias limitações e procurar sana-las da da melhor e da maneira mais rápida possível também nos torna seres humanos dignos de sermos chamados de filhos de Deus.
Tenho apreendido que é quando temos alguém vulnerável, e até indefeso sob nossa responsabilidade, que revelamos nossa verdadeira natureza. Mas o que é amar e ser amado se não houver esse momento de vulnerabilidade em que abaixamos nossa guarda e nos despimos de nossos escudos e armaduras? Como pode haver amor sem confiança?
Amor e confiança andam de mãos dadas. Mas não é prudente entregar-se a alguém sem certificar-se de seu caráter e verdadeiras intenções. O amor, quando bem vivido, é o tipo de experiência que mais nos aproxima da eternidade ainda em vida. E não é exatamente isso que seria nos pede: que o amemos e deixe Ele cuidar de nós, sem hesitarmos?
O corpo envelhece, a riqueza pode acabar, a saúde pode faltar, a beleza pode murchar, mas o amor permanece fiel por toda uma vida.

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