Autor: João Luiz
A cada ano que uma eleição política se aproxima, os partidos buscam nomes para disputarem os mais diversos cargos, sejam no legislativo ou executivo, federal, estadual, municipal ou distrital. Buscam-se nomes para compor as legendas e consigam a tão desejada eleição.
Antigamente, eram eleitos sempre os mesmos nomes ou grupos que compunham os partidos tradicionais. Não havia muitas surpresas. Eram sempre os candidatos da situação e da oposição. Porém, à medida em que houve a redemocratização no país, começou a surgir um novo tipo de candidato: a celebridade oriundas dos programas de tevê, como novelas e jornalismo, além daqueles que eram divulgados através de seus trabalhos, como música ou esportes, todos com grande carisma ou forte apelo popular.
Essas celebridades eram vistas como o rompimento com a velha política e a renovação das ideias, aonde casa uma representaria um seguimento específico. E nisso foram sendo ampliados o leque de opções, através da religião, opções sexuais, raciais, categorias profissionais, ideologias e tudo mais que fizessem os eleitores se sentirem representados na política.
E com o advento da internet, qualquer um pôde se tornar uma celebridade com milhões de seguidores e com relevância para empresas, marcas, partidos políticos, agremiações religiosas e grupos sociais em geral. E cada vez que surge uma celebridade nova, ela acaba sendo cobiçada por qualquer um desses grupos para impulsionar a relevância deles diante de seu público.
Com isso, tem ficado cada vez mais se firmar como uma liderança política, tanto a nível local como nacional, pois a popularidade decorrente da visibilidade das mídias, incluindo a internet, tem pulverizado a atenção da população de modo que não tem surgido muitos nomes que consigam circular facilmente entre todos esses setores, pois quando se alia a um setor, desagrada outros tantos e o país vai seguindo dividido sem que tenham nomes que acabem sendo uma unanimidade entre os eleitores.
A mais recente eleição deixou evidente a carência de lideranças que conseguissem aglutinar os vários seguimentos de uma sociedade dividida, polarizada e até intolerante com ideias diferentes das suas próprias idéias. O resultado nacional deixou evidente a falta de coesão que existe. O desespero de fazer um candidato em idade avançada para contrapor a força que o outro adquiriu ao longo do mandato foi surreal. Não houve quem conseguisse assumir o papel de terceira via e podemos até dizer que o resultado final foi um empate técnico.
Não estou aqui exaltando um ou tentando desmerecer a importância do outro, mas essa clara falta de nomes que consigam atrair para si boa parte da população é preocupante para as seguintes eleições.
Não está mais uma questão de quem tem as melhores ideias ou quem tem as melhores intenções com este ou aquele grupo da sociedade. A questão agora é quem consegue mais divulgação e reunir em torno de si os vários segmentos da população de maneira que o apoio seja firme, consistente, constante e vá se ampliando a cada dia.
E como conseguir isso? Claro que existem profissionais formados nas melhores universidades e que já prestaram serviços nas empresas de melhor reputação, mas o que vai ser o diferencial será mesmo atingir aquele sentimento insegurança, medo do futuro, o medo das mudanças culturais, econômicas, tecnológicas que estão acontecendo de maneira casa vez mais intensa e acelerada.
A sociedade busca alguém de lhe dê esperanças, sirva como referência e modelo a ser seguido. As pessoas buscam na figura da liderança alguém que nos guie neste mundo de tantas incertezas. As pessoas querem alguém que faça o papel de pai delas (pois existem muitas famílias desestruturadas), que seja o mestre que lhe dê respostas para seus questionamentos e suas ansiedades. Buscam alguém que fale diretamente ao coração delas e lhes dê um conforto de que elas não estão sozinhas e serão abandonadas no meio do caminho.
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