quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Compartilhar

Atualmente, não temos aquela cultura de compartilhar. De um modo geral, é mais fácil para as pessoas doarem e receberem do que compartilhar. Quando alguém doa algo, não costuma olhar para trás, tipo uma esmola no ônibus ou roupas a alguma instituição de caridade. Não cria um vínculo e nem se torna conhecido. Não há um compromisso de continuidade, não se mantém o contato além do tempo mínimo necessário, e o próximo contato só ocorrerá tempos depois numa nova onda de doações. Doação é uma forma de caridade, mas conforta apenas temporariamente, não há uma troca prolongada de carinho e atenção.
Um idoso ou uma criança que se sente só, não se satisfaz apenas com um cobertor ou um brinquedo novo ou seminovo. Alguém nessa situação quer mais do que demonstrações materiais de caridade, quer atenção e desabafar sentimentos. Claro que existem pessoas que acreditam que quanto mais presentes materiais receberem melhor posta elas. Esse tipo de gente costuma ser mal-agradecida e não reconhece o que é caridade. Melhor dedicar esforços a quem realmente precisa. Não devemos julgar e nem condenar ninguém, mas perder tempo com quem não merece afasta o verdadeiro propósito de multiplicar o amor em terreno fértil.
O tempo é, de fato, o bem mais valioso que temos. É nele que determinamos nossas prioridades. Se dedicamos nosso tempo a alguém ou em fazer algo, esse alguém ou algo será o que consideramos mais valioso que temos, e a outra pessoa perceberá isso, de alguma forma.
Não devemos nos esquecer do objetivo maior que seria compartilhar. Para isso dedicar um tempo as pessoas com afinidades de ideias ajuda a manter uma chama viva dentro de nós e nos afasta daquela sensação de vazio que ocorre quando estamos com pessoas sem um objetivo maior do que apenas o prazer imediato. Quantas pessoas e reúnem para viver um churrasco regado a muita bebida alcoólica sem propósito maior do que este? Não considero isso compartilhar, apenas estar junto. 
Quando compartilhamos uma ideia ou um sentimento, todos devem se sentir livres para serem eles mesmos, e até mesmo cometer eventuais erros sem o medo de serem severamente punidos. O ambiente deve ser o mais leve possível, livre do controle rígido de alguém, nas com certa ordem para o conforto e segurança de todos os envolvidos.
Podemos compartilhar nossa família, nossos amigos, nossa casa, nosso tempo, nossas ideias, nossos sentimentos, tido de maneira decente e que não sejam motivo de vergonha ou escândalo. Quem sabe compartilhar não precisa ter receio de ficar só, pois sempre aparece alguém para lhe fazer companhia.

 Nenhum texto alternativo automático disponível.

Nenhum comentário:

Postar um comentário