sábado, 23 de setembro de 2017

Automata


Para quem viu o filme Automata, com Antonio Banderas, deve ter percebido que se tratava e um daqueles filmes-conceito mais filosófico que comercial, em que a mensagem é maiores importante que o retorno comercial. Pois bem, nesse filme, havia um receio dos seres humanos serem ultrapassados pelas máquinas, através da Inteligência Artificial delas.
Enquanto que os seres humanos tem que debater o tempo todo os valores morais entre o certo e o errado, a máquinas fazem apenas o que precisa ser feito, sem o dilema entre decidir o que deve ou não fazer, são bem práticas e não se limitam pelo medo de avançar ao desconhecido, não tem vaidades, não precisam alimentar seu próprio ego. E isso faziam que elas evoluíssem em um tempo muito curto. Elas aprendiam com os próprios erros e tinham uma sede incontrolável por conhecimento. Daí o perigo de deixá-las soltas sem algum tipo de censura quer inibisse sua rápida evolução que escapasse ao controle dos seres humanos, tomando-se elas uma espécie e uma ameaça a nossa existência quando atingissem um ponto de terem consciência própria e não dependem de nós para orienta-las.
Não vou comentar sobre o perigo da inteligência artificial e do perigo que ela representa para nos existência, a partir do momento que nos tornamos cada vez mais dependentes da tecnologia, isso já foi debatido em vários filmes como O Exterminador do Futuro, Transcendência, I.A., só para citar alguns. Quero comentar sobre os limites que a censura e mais tarde sobre a autocensura provocam em nossa criatividade, capacidade de amar, de crescer e se desenvolver.
Somos criados desde a Maria tenra infância para sermos obedientes e controlados por quem detém algum tipo de poder ou autoridade, de início os pais, tios e avós, e mais tarde pelos professores, colegas, no namoro, pelos grupos sociais e empregadores. Todos eles com suas vaidades, dúvidas, receios, fragilidades e outras limitações. Por isso que dizem que o ser humano é limitado e imperfeito. O ser humano já é perfeito, mas as idéias que conduzem seus pensamentos e ações é que limitam suas possibilidades. E são essas pessoas com pensamentos limitados que vão orientar outros serem humanos. Será que tantas limitações permitem que as pessoas deem além do que receberam? É possível, mas o esforço para compreender que  sabemos pouco  sobre nosso próprio potencial e ir além de nossas próprias limitações será proporcionalmente o mesmo que as limitações que recebemos.
Por exemplo, o casamento ou uma relação duradoura podem ser um fator de libertação ou aprisionamento em nossas vidas. Quando conhecemos alguém conhecemos a pessoa naquele momento da vida dela, como em uma fotografia que é estática, mas a vida é dinâmica como em um filme. Se a pessoa for companheira, ela acompanhará nosso raciocínio e nós o raciocínio dela, e havendo essa sintonia de pensamentos, caminharão juntos por muito tempo. Mas se a outra pessoa se apresenta de um jeito e, na precipitação nos casamos com ela imagem idealizada, a dinâmica da vida das encarregará de fazer a pessoa ao nosso lado revelar sua verdadeira natureza a cada dia, e para manter uma relação incompatível com nossas crenças e anseios pessoais, teremos que nos limitar e autocensurar.
No trabalho, nem sempre o melhor funcionário será contratado ou promovido, pois seu superior hierárquico poderá ver nele uma ameaça ao próprio emprego, e ter medo e ter sua própria mediocridade exposta. São várias aa empresas que já faliram porque sua dirigentes foram inflexíveis e arrogantes em admitir que não sabiam tudo sobre seu próprio negocio e precisavam de ajuda.
É difícil, mas deixar os próprios interesses de lado, nem que seja por um momento, nos abre uma visão como não podemos imaginar. Sair do lugar comum, fazer coisas novas, ter empatia com outras pessoas, ser humilde e ter sede de aprendizado nos libertam de ideias que aprendemos e nos projetam para um futuro mais promissor.
Para nos sentirmos seguros, gostamos de ambientes controlados por nós ou por alguém, tipo um shopping center ou uma festa familiar. Geralmente são ambientes em que temos que representar um personagem comum e aceito socialmente, onde não podemos ser nos mesmos ou agir de forma improvisada, ou seja, estamos sempre nos colocando em situações em que são relativamente previsíveis sem grandes surpresas.
Acredito que se deixarmos as paixões inconseqüentes de lado e sermos mais racionais sem, contudo, desprezar a criatividade e intuição, não haverá limites para o ser humano, mas tudo isso com doses generosas de humildade. Não somos imperfeitos como é divulgado, imperfeita são s ideias que temos de nós mesmos. E por falar em intuição, ela pude ser uma ferramenta poderosa para descobrimos soluções que nenhuma máquina poderá se igualar, mas ela é um conhecimento misterioso e que normalmente não se manifesta para engrandecer o ego do ser humano.
Deixar de de reprimir e permitir-se aprender cada vez mais e utilizar o que já sabe são formas de expandir o próprio conhecimento de forma saudável.

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