domingo, 24 de setembro de 2017

Perdidos no espaço

Quem viu o filme Perdidos no Espaço deve se lembrar das duas cenas em que a nave esta prestes a colidir com o sol e em outra cena em que a nave está e em um planeta prestes a explodir, e que para escapar o capitão ordena que o piloto não tente escapar fugindo para longe e sim vá em direção ao núcleo do sol e na outra cena para o núcleo do planeta quase explodido. O piloto vai para o centro destes astros e a nave é lançada para o espaço e tempo desconhecidos através de uma passagem temporal chamada "buraco de minhoca".  Ou seja, ou eles escolhem serem lançados ao desconhecido ou será a destruição certa. Escolhem o desconhecido.
E qual a importância de comentar um filme de ficção que, aparentemente, não tem relação com boa realidade? Por mais estranho que possa parecer, é uma analogia perfeita para o amor. O que é o amor senão ser lançado para o desconhecido no qual não temos controle algum sobre este poderoso sentimento e que, parte fazer sentido, tem que ser vivido em intensidade a cada momento sem saber o que virá no momento seguinte?
Muitas pessoas acham que já sofreram por amar demais alguém, mas o amor não faz ninguém sofrer, nunca fez. O amor é leve, paciente e não cobra nada de ninguém. Não é o amor quem provoca sofrimento, mas o controle que queremos ou pensamos ter, assim como nossas próprias vontades. As paixões, loucas e alucinadas podem provocar muitos sofrimentos, porque com elas idealizamos algo e queremos que se realize, como se pudéssemos ter o controle sobre a vontade de outras pessoas ou sobre as circunstâncias.
O que ocorre na paixão são dois elementos envolvidos: o iludido e o oportunista. O iludido acha que sua própria vontade deve ser imposta, custe o que custar. O iludido acha que pode controlar a vontade alheia e mudar regras que existem antes mesmo dele nascer. Já o oportunista encontra alguém disposto a fazer todas as suas vontades e tudo que quer é se sentir "amado". Esse oportunista só faz estender a mão e pegar o que não lhe pertence, mas que foi entregue sem que ele precise fazer algum esforço. Oportunistas são precisar manipuladoras e que só se importam consigo ou com seus interesses, não se importando se vão magoar alguém.
E é esse tipo de relação doentia que as pessoas chamam de amor e que machuca muito. E tem pessoas que não se contentam em serem enganadas uma única vez, tem pessoas que inconscientemente escolhem pessoas que vão magoa-las. Pessoas assim não acreditam em  demonstrações sinceras de carinho, preferem viver na ilusão e escolher pessoas erradas para se entregar do tipo infiéis, cobiçadas, egocêntricas, narcisistas. Se entregam sem medidas às pessoas erradas e esperam que essas pressões erradas reconheçam tanta dedicação e as recompensem retribuindo na mesma medida. Então depois culpar o amor fica fácil, mas fazer escolhas erradas e não assumir os próprios erros é típico de pessoas de mentalidade infantil, imaturas mesmo. Pessoas assim não deveriam sequer pensar em e envolver com alguém antes delas mesmas de amadurecem.
Mergulhar no amor deve ser uma escolha consciente e madura, e não apenas para satisfazer o ego de quem pensa que pode ter tudo o que deseja. É abrir mão da falsa sensação de segurança que queremos ter, de tentar controlar a tudo e a todos, de idealizar uma realidade onde os outros são meros personagens com papéis previamente definidos, é ter  humildade poderá reconhecer as próprias limitações, ter paciência para colher os frutos na hora certa e como eles nascerem. Ter amor é ter certeza de que nada tem mas que pode ter tudo o que desejar, e que ninguém tomará o que realmente for seu. 
 

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